8.06.2007

enquanto isso, nos corredores da escola...

Shorts, meia branca, mochila, lancheira e bolinhas de gude.
Você fazendo piadas, rindo na minha cara, criando planos mirabolantes, infernizando a professora.
Pés batendo na cadeira, mil aviõezinhos de papel, meninas fofocando e você já achou um "esconderijo secreto".
Desenhos animados comandam nossas brincadeiras, somos os personagens principais e todos os outros são coadjuvates.
Vou na biblioteca, lá você não bota o pé.
Na missa você brinca atrás da última fileira de cadeiras e depois finge rezar a fim de escapulir a primeira aula.
Te condeno por várias coisas e, com um puxão de orelha, te levo na diretoria pelo menos uma vez na semana.
Os momentos embaraçosos você transforma em memórias incríveis, enquanto outros poderiam torná-los verdadeiros traumas.
Para você a minha palavra é sinônimo de verdade, ao mesmo tempo você é o maior contador de história da sala.
Criatividade é algo que nunca te falta.
A professora avisa a data da foto da classe, você avisa que vai faltar.
Conto nos dedos as fotos que tenho tuas.
Sempre te venço e coitado do seu dedo mindinho.
Subir em árvores, pular o muro, atiçar os cachorros.
Nunca entendi sua dieta de papoulas.
Durante seis anos, um entendimento perfeito, uma sincronia incrível.
Mesmo assim te recusei três vezes o mesmo pedido, dez anos depois ainda lembro claramente.
Das três vezes em que foram e se perderam as minhas chances de te dizer do sentimento mais puro que eu sentia.
Amor.

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